E no final…
Este é o último post deste blog. Na verdade, deveria ter sido escrito ontem, mas fiquei sem internet, então vamos lá, para os detalhes da votação de domingo, agora que os prêmios já foram divulgados. O dia que decidimos os prêmios foi assim: sentamos para votar e, logo de cara, o primeiro trabalho foi a promo de iPod. Isso não é bom, porque o júri ainda está rígido demais…desatento demais…enfim. Nesse caso foi a categoria Fast Moving Consumer Goods. A campanha conseguiu 5.000 pontos, o que a colocava no primeiro lugar da lista. O presidente começou pedindo ouro e prata, mas não houve número de votos necessário. A discussão foi que, apesar de ser um projeto interessante, tratava-se de uma promoção “clássica” de brinde alavancando venda de produto. Argumento difícil de contestar num júri que procurava “a new way of thinking promotion”. Assim, ficamos com o bronze numa votação folgada. A categoria não teve nem prata, nem ouro. A segunda peça brasileira a ser votada foi o trabalho da FabraQuintero para a Fundação Ipê. Confesso que, como o júri estava privilegiando campanhas promocionais grandes, não achei que esta peça fosse ganhar algum prêmio, mas assim que o presidente pediu por Bronze, ela conseguiu a votação necessária. O terceiro ouro brasileiro foi o mais suado. Na categoria Embalagem Promocional, iPod no Palito estava em quarto lugar no score. Não houve prata, nem ouro, e das três peças melhor ranqueadas, apenas uma embalagem de Absolut foi premiada. Quando chegou sua vez de ser votada, a peça brasileira ficou com apenas 7 dos 18 votos. Ou seja, nem bronze. O julgamento continuou e depois de passar por todas as peças, o presidente perguntou se alguém tinha alguma peça que achava que merecia um “upgrade”. Neste ponto, para minha surpresa, o jurado Holandês chegou perto de mim e disse “vou levantar a embalagem de iPod”. Sem ter tempo de ouvir a resposta, ele começou sua defesa, falando para o júri: “normalmente, uma embalagem promocional serve para destacar um produto. Neste caso, no entanto, a agência precisava fazer exatamente o contrário e ainda por cima precisavam congelar um ipod. Por isso acho que essa embalagem merece ao menos bronze”. Começa a votação e novamente foram 7 de 18 por alguns segundos. Achei que não conseguríamos mais votos. De repente o placar deu um pulo para 8/18. Depois 9/18 e finalmente 10/18. Mesmo assim, ainda precisávamos de um voto. Mas o placar não avançava. Então o presidente do júri olhou para se HP que estava sobre a mesa, caminhou lentamente e apertou o botão do seu voto. 11/18. Mais um bronze pra nós. Suado, de bronze, mas ruge.
Para a decisão do Grand Prix, cada jurado podia indicar uma peça entre as que ganharam ouro. Eu indiquei a campanha da Nova Zelandia, que mandam um pub de lá até Londres. Concorreram ainda, a campanha de Seven Eleven para os Simpsons, a campanha de Snoop Dog para MTV e a HBO Voyeur. Todas enormes, integradas, utilizando diversos canais e todas muito mais de ativação do que de alavancagem de vendas. Esse é cada vez mais, o novo jeito de fazer promoção. Dos quatro “shortlist” para Grand Prix, Simpsons e MTV foram rapidamente eliminados e a discussão ficou entre o Pub no Navio e HBO. Esta última acabou ganhando, porque é, em última análise a que utiliza os recursos mais modernos. No dia seguinte, coletiva de imprensa. Jornalistas de todo o mundo entrevistando o júri. E pronto. Acabou. Uma semana de trabalho pesado e um resultado que acho bastante positivo para o Brasil. Pela primeira vez na história levamos leões em Promo Lions. Fico por aqui até dia 19, mas sinceramente, depois de passar por mil e poucas campanhas, tudo que não quero é assistir palestras e workshops.
Para você que acompanhou este blog e que torceu pelo iPod no Palito, valeu! Muito obrigado e até a próxima.
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Pronto, acabou.
Se você está lendo este post para saber qual foi a performance do Brasil no Promo Lions, não posso contar, infelizmente. Só amanhã, depois do almoço, o resultado oficial poderá ser divulgado. O que eu posso contar é como foi o sistema do último dia de votação. Funciona assim: você entra na sala, senta em seu lugar e à sua frente está a lista dos trabalhos ranqueados (por categoria) pela nota que receberam ontem. Na frente de cada trabalho, um score de 2.000 à 8.000 pontos, apenas para que você possa ter uma idéia da avaliação que a campanha recebeu. Na HP, ao invés das notas, dois botões: NO e YES. Na parede em frente à mesa em “U”, uma tela de projeção para os trabalhos e duas TVs, uma de cada lado, anunciam a categoria, a peça e o status da votação. Antes do início de cada votação, as TVs exibem um “0/18″. Ou seja, nenhum dos 18 jurados ainda votou. Papo introdutório do presidente, aparece a primeira campanha concorrente. O presidente pede os votos: Yes or no for gold, please. Cada jurado aperta o botão de sua escolha e o placar vai sendo atualizado nos monitores. 1, 2, 3, 4 votos. Desta maneira, cada jurado pode acompanhar o andamento da votação. Para conseguir um leão, são necessários 12/18, ou seja, doze votos dos 18. Não deu ouro, vota-se prata, não deu prata, bronze, não deu bronze, a peça continua como shortlist apenas.
A verdade é que este é, de longe o dia mais tenso de todos. E com trabalhos concorrendo, a tensão é ainda maior. Como a lista do shortlist já foi divulgada, eu posso falar aqui. O Brasil concorreu em 2 categorias com iPod e em mais duas categorias com um trabalho da Giovanni e outro da Fabra/Quintero para Bristol e para Fundação Ipê.
Amanhã depois da divulgação dos resultados eu conto como foi.
Só digo que essa história de votos serem contados e acompanhados um a um deveria ser proibida pelo Ministério da Saúde.

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Habemos Shortlist!
Depois de um dia cansativo, passamos pelos 132 trabalhos, que representam os 10% mais bem avaliados em cada categoria, ou seja, o shortlist. Pela primeira vez, todos os membros do júri trabalharam juntos numa única sala. Recebemos uma pasta com os tais 132 cases. Nosso dever, hoje, era reavaliar cada case para definir quais passam para a fase de premiação (bronze, prata e ouro) de amanhã e quais ficam como shortlist apenas. O trabalho foi exaustivo, pois eram mais do que o dobro dos cases que estávamos acostumados a julgar nas sessões anteriores, com o agravante de – por estarmos todos juntos – mais discussões acontecerem. Ao final no dia, cada jurado podia “puxar” para o shortlist um trabalho que tivesse ficado de fora (desde que não fosse de seu país). Fui o único jurado a utilizar essa prerrogativa, resgatando uma campanha que foi premiada no Wave Festival, mas que aqui havia sido cortada. O júri aceitou minha sugestão e em seguida, em conjunto, decidimos que precisávamos excluir alguns cases cuja qualidade criativa realmente não estava à altura do Festival. Todas as quatro ou cinco campanhas que o presidente do júri sugeriu, foram cortadas pelo júri. Assim, pouco depois das 5 da tarde, chegamos ao shortlist final e definimos as peças que devem brigar por Leão amanhã.
Para receber um Leão, as peças selecionadas hoje precisarão de 2/3 dos votos do júri. É briga feia mesmo. 12 jurados dos 18. Não é fácil mesmo.
Infelizmente não posso falar nada sobre o shortlist até que a organização do Festival divulgue a lista oficial. O Brasil, como quase todo mundo sabe, teve uma performance muito ruim nos primeiros dois anos de Promo Lions. Em 2006 teve apenas um shortlist. Em 2007, nenhum shortlist. Então, sem entregar nada, o que posso dizer é que este ano já é a melhor participação brasileira na história do Promo Lions. Amanhã, no final da tarde, a maratona termina.
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Hoje recebemos o kit dos delegados, para participar dos eventos. A cidade começa a encher, pois amanhã começa oficialmente o Festival. Daqui a pouco vou jantar com os jurados e com o Adriano, diretor de criação da Bullet, que chegou hoje por aqui.
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Essa é a foto oficial do júri.
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(Na foto, Mischa, o jurado holandês, Armin, o presidente do júri e Diego, o jurado argentino, revendo uma das campanhas mais legais do dia)
Pronto. Terceiro dia finito. Quatrocentos cases julgados por cada jurado. Amanhã discutiremos a primeira versão do shortlist. Trabalhos da China, Japão, Nova Zelândia, Austrália, Rússia, Tailândia, França, Italia, Espanha, Portugal, Argentina, Brasil…você fala um país daí que eu mostro uma promo daqui! Mas sabe o que? Isso de ver campanhas do mundo todo não é mais tão importante como foi no passado. Incrível notar que o mundo não está plano apenas na economia (Thomas Friedman). O júri, formado por profissionais de todos os cantos do planeta, é homogêneo nas avaliações e as campanhas têm muito pouco acento local. Além disso, definitivamente, existe um modelo de Promo, ou de campanha BTL, que parece ser padrão no mundo todo. Você sabe do que estou falando. Já viu isso antes. Mas depois de ver tantos trabalhos, um depois do outro, enão importa mais a região, esse é o modelo padrão: uma idéia central com ou sem suporte de alguma mídia alternativa + virais que se transformam em notícia nos jornais da televisão + blogs discutindo o tema. Uma infinidade de campanhas seguem esse modelo. Mas padrão ou não, o júri quer premiar. Acredite. Então, é uma pena quando a inscrição não ajuda porque falta um vídeo convincente, ou quando existem erros primários. E, como o Geraldo Rocha Azevedo ressaltou na reunião com as agências que a gente realizou, nada é mais importante do que o vídeo que explica o case. Não é só importante. É fundamental. Pensando nisso, fiz algumas anotações para mim mesmo, que acho que podem interessar quem pretende inscrever nos próximos Promo Lions:
- Seja direto: o júri é formado por profissionais experientes. Estão vendo um case atrás do outro. Gente que está cansada de receber e resolver briefings. Então não subestime o poder desses caras de entender o problema que você resolveu. Lembre-se que a categoria é Promo. Seja direto, porém não seja simplista. Não gaste mais do que 3 minutos explicando o background do case, ou o problema do cliente. Fale logo, no primeiro minuto, qual é sua idéia. É isso que eles querem ver. Lembre-se: Cannes privilegia as idéias (peso de 40%).
- Seja cool: a trilha é fundamental. Esqueça o acid jazz manjado. Ou world music. Ou músicas irritantes para chamar a atenção. Vi os dois extremos. Músicas tão irritantes que o júri parou no meio a exibição e trilhas tão legais que todo mundo entrou no clima e naturalmente a idéia cresceu. Um dos cases tinha uma trilha tão boa que pediram para ver de novo, só para ouvir.
- Tenha humor na medida certa: a não ser que você tenha certeza que o júri vai rolar no chão de rir, piadinha não, por favor. Lembre-se. São seis caras olhando centenas de trabalhos. Tudo que você não quer é que um olhe para o outro com um sorriso amarelo.
- Seja honesto: não exagere nos resultados. Qualquer mínimo sinal de mentira e seu case dança. Um case alegou ter causado um incremento de vendas de 657%. Os jurados se entre olharam descrentes até que um deles disse: “escutem…se você desse mais de 500% de incremento pra seu cliente, você se preocuparia com a precisão dos 7%, ou isso é para ‘parecer’ verdadeiro?”. Risada geral e mais um case pro lixo.
Amanhã cedo, 9:00 aqui, 4:00 no Brasil, a gente se reúne – pela primeira vez os 18 jurados – para decidir o que vai pra prêmio e o que fica no shortlist apenas. Cada jurado também terá a chance de puxar para o shortlist um trabalho que, não sendo de seu país, tenha sido deixado de lado pelo júri.
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Ontem apaguei. Dormi das 19:00 até as 5:00. Acho que serviu para regular o relógio depois do jet lag. Quem não gostou foi a jovem que arruma o quarto. Não teve perdão. Quando saí de manhã encontrei o bilhete na porta. “Não arrumei seu quarto porque você ESTAVA DORMINDO!”. Pô…fiquei chateado. Não queria atrapalhar o trabalho da moça.
Hoje recebemos os crachás para participar do evento. Como jurado, você tem o direito de participar de todos os workshops e seminários.
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Finalmente, sei que não estou aqui para dar dicas de turismo, mas não posso deixar de falar de uma lojinha de brinquedos que fui hoje.O nome é En Sortant de L’École, de uma parisiense radicada em Antibes. A loja vende brinquedos antigos e é de um bom gosto irritante. Fui lá com o Fred Gelli, o jurado brasileiro no júri de design e saímos cheios de brinquedos bacanas, inclusive vários denglingos
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Isso é bom ou não é bom?
Num Festival grande como o de Cannes, com milhares de inscrições, de todo canto do mundo, é de se esperar que uma boa parte dos trabalhos inscritos seja de qualidade duvidosa. O trabalho do júri, então, é construir em três dias, um shortlist. Separar aquilo que é ruim, ou apenas ok, daquilo que é ótimo ou brilhante. Neste processo, os dois extremos são fáceis de descobrir. Um trabalho abaixo da média é ignorado ou as vezes até arranca uma piada de algum jurado. Já um trabalho brilhante desperta interesse de todo o grupo. Às vezes até aplausos. O difícil, portanto, não é descobrir o que é ruim ou o que é bom. Difícil é o trabalho mediano. Aquele que para alguns pode parecer genial e para outros medíocre. Paradoxalmente são esses trabalhos que despertam as maiores discussões. Justo esses, que dificilmente vão se transformar em um prêmio, são os que dão mais trabalho ao júri. Mas voltando ao trabalho brilhante, que é o que nos interessa: hoje surgiu um trabalho assim. E outro ontem. Até agora são 2 em mais de 300 trabalhos analisados. A campanha de ontem eu já conhecia pela Internet, mas a de hoje eu não conhecia e é realmente muito boa. E veja que sorte: a campanha foi colocada em votação exatamente quando o presidente do júri estava na nossa sala. Justo nessa hora. Digo isso porque ficou evidente que ele gostou e tem uma coisa curiosa que acontece ao longo da competição: algumas campanhas brilhantes vão ganhando corpo ao longo das votações. Quanto mais você vê, mais você gosta. É como se tivessem vida própria. Uma peça que sai do lugar comum ainda no pré-shortlist tem muita sorte, porque após identificada, ela se transforma informalmente , no benchmark dos trabalhos. Aos poucos, mais e mais jurados começam a conhece-la. O presidente fala da tal peça, e de repente, a peça se torna inqüestionável. E sendo inqüestionável ninguém mais arrisca o direito de não lhe dar ouro.

Hoje foi o segundo dia de votação. Mais de 2/3 já estão vistos. Em seguida, saí pra passear, mas Cannes não é exatamente o paraíso dos nerds. Então voltei para o hotel e agora acho que vou dormir para acabar de vez com o jet lag.
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O primeiro dia de votação

Sabe qual foi a última vez que eu acordei as 7:30 da manhã, para tomar café na beira da piscina, num hotel da Riviera Francesa, num dia de sol de rachar? Não teve última vez. Isso aqui é único. A notícia triste é que uma hora depois, estamos caminhando de cabeça baixa, em fila, na direção de uma porta dos fundos do Palais, a duas quadras do hotel, onde ficaríamos trancados o dia inteiro, julgando as primeiras cento-e-poucas peças. Fade out. Fade in. Estamos os 18 jurados sentados em duas filas de cadeiras escutando os textos de abertura. Phil Thomas o CEO, depois Armin Jochun, o presidente do júri do Promo Lions. É bacana. O texto do Phil faz você perceber a importância do prêmio. São mais de 600 jornalistas de todo o mundo cobrindo a performance de uma infinidade de trabalhos. O recado de Armin foi simples e objetivo: “Privilegiem as boas idéias, mas lembre-se que estamos julgando Promo, então algum efeito para as marcas é de se esperar”. Efeito é uma palavra boa. Porque não é necessariamente “vender”. A verdade é que, hoje em dia, é muito difícil separar campanhas em “disciplinas”. Tudo é on, tudo é off, tudo é colaborativo, tudo é integrado. Campanhas de Promo usam mídia, campanhas de ATL são promoções. Então é complicado dizer para o júri: “votem só no que é promoção”. O júri foi, então, dividido em 3 grupos, cada um com 6 jurados.
Armin fica todo o tempo circulando de uma sala para outra. Vez ou outra, ele “distribui” uma discussão que ocorreu em outra sala para “socializar” o que foi concluído. A divisão dos jurados é diferente a cada dia. Hoje caí no grupo A, com Shelford, Rowan, Jesper, Natalie e Joanina. Cada jurado recebe uma pasta enorme, com as 400 inscrições que deverá julgar de maneira a compor short list. Esta pasta acompanhará o jurado durante os 3 dias e já tem divisórias para o primeiro, o segundo e o terceiro dia. Ou seja, quando você senta na mesa, já sabe quantas peças vai ter que analisar naquele dia. Além disso, o jurado recebe um iPaq HP, rodando um aplicativo que permite que você de notas de 1 a 9 nos quatro quesitos que são avaliados: Criatividade (peso 40%), Execução (20%), Estratégia (20%), Resultado (20%). O iPaq se conecta wireless a um servidor, então, cada voto que você dá é automaticamente computado.
Somos alertados que, caso um jurado vote numa peça de seu país com uma nota maior ou menor que quatro pontos em relação à média dos outros jurados, o presidente será informado. Isso é feito para evitar que um jurado derrube ou eleve a média propositadamente para privilegiar ou prejudicar peças de seu país. Além disso, você deve votar nas peças de sua agência, mas o voto será desconsiderado pelo sistema. Na verdade, nesta fase é a hora de separar o que merece ir para o shortlist, do que deve cair. Então, na prática, os jurados não se preocupam tanto com notas diferentes para cada quesito. 1 a 3 se você acha que a peça morre. 4 a 6 se vai para shortlist. 7 a 9 se merece prêmio. Ao menos na nossa sala, as notas variaram de 1 a 6. Matando ou jogando a peça para shortlist. É virtualmente impossível saber quais peças compõem o shortlist antes dele ser publicado. Claro que algumas poucas peças se destacam facilmente. Mas o conjunto não há como saber. Mesmo. Agora são 19:00. Estou de volta ao Hotel e não deve haver programação do Festival, mas a gente combinou de se encontrar no lobby pra jantar em uns 15 minutos.
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O jantar de boas-vindas
Acabo de voltar do primeiro compromisso “oficial” no júri. O jantar de boas-vindas para o júri de Direct e Promo. 36 jurados, mais diversos membros da organização do Festival. O combinado era que todos os jurados se encontrassem no lobby do hotel às 19:45. Então fiz minha primeira burrada. Uma dessas que nunca faço: simplesmente esqueci de ajustar o horário do computador. Ou seja, estava uma hora atrasado, mandando e-mails tranquilamente. Por sorte, a ‘manager’ do nosso júri, uma chilena chamada Maureen, ligou e com um delicado “sorry if I wake you up” fez com que eu tomasse banho e me vestisse em 40 segundos. Quando cheguei no lobby ainda faltavam 4 jurados, ou seja, minha indelicadeza quase não chamou a atenção. O jantar foi no restaurante La Côte do Carlton Hotel. Jurados do mundo inteiro misturados, tentando quebrar o gelo. Mas funciona. Os lugares são marcados. Antes de servirem os pratos, Phil Thomas o CEO do Festival, em nome de Terry Savage o chairman (que também estava presente) dá as boas-vindas a todos. Na minha mesa estavam Nathalie Cachet da Piment DDB de Paris, muito menos séria do que parecia ser por seu curriculum, Rosham Abbas, um Indú que toca uma agência independente com 240 profissionais, Tadahiro Ikenaga, da Dentsu, que como bom japonês, fez a lição de casa e sabia nome e função de todos na mesa (foi o único que leu todos os curriculuns e decorou), Natasha Stepanuk, da IQ de Moscou, muito simpática e adorou a história de vende e compra da Bullet, Cristina Barturen da Euro RSCG 4D, que é formada em psicologia, comunicação e tem especialização em Mídia Estratégica por Berkley (como diria Chester, não tenho nem roupa para falar com ela) e Diego Echandi da Argentina. Fora desse grupo, conversei com a suíça Danielle Lanz e o sueco Jesper Holst, além do neo-zelandês Andy Blood que insistia em nadar no mar “fosforecente” após o jantar. Enfim, o júri começa a tomar forma. Falei pouco com Armin Jochun, o presidente, fui apenas apresentado para o holandês Mischa Schreuder, o australiano Ben Coulson, o austríaco Joachim Glawion, e nem vi o canadense Rico DiGiovanni, o americano Willian Rosen, Rowan Chanen de Singapura e Joanina Pastoll da Africa do Sul.
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Finalmente.
Pronto, cheguei. O aeroporto de Nice não é muito movimentado e, ao que tudo indica, só o meu vôo estava passando pela imigração. Enquanto britânicos e franceses passavam direto, o nosso passaporte verdinho dá direito a um carimbo e uma olhada “que pitoresco…um brasileiro”. No corredor antes das bagagens, uma seqüência de promotores dos diversos Festivais que estão acontecendo na região. Você não achava que o Festival de Propaganda seria o único a mimetizar o Festival de Cinema, não é mesmo? Nah. Tem vários outros. Procurei pelo balcão com o logo do Leão. Nele havia apenas uma senhora gorda, entediada, com uma placa com um nome holandês-Van na mão. Ela deve ter pensado que era eu, pois abriu um sincero sorriso. Sinto muito, mas não sou seu Van. Sou o sujeito que está vindo de Londres no BA354. “Ó…ok” – num sotaque inglês quase espanhol – “Minha colega Sheila está lá embaixo, ao lado da sua esteira de bagagens. Ela vai levar o senhor até o Hotel. É uma loira, alta, de olhos azuis”. Opa. Bem-vindo a França, pensei. Após pegar minha mala, descobri que a loira alta era, na verdade, um turco atarracado, de nome indecifrável e que não falava inglês. Entrei em seu Cannesmobile e – graças à organização impecável do Festival (kudos pra Lisa Berlin) em pouco tempo já havia feito o check-in e conhecido Shelford Chandler, o jurado inglês. Sabia que era ele, teclando no BlackBerry no lobby do hotel Gray D’Albion porque o kit de boas-vindas que recebi no carro continha uma pasta com uma breve biografia e foto de cada um dos 18 jurados. Me apresentei e saímos para almoçar. Além dele, conheço apenas Diego Echandi, da Smash argentina, que participou comigo o júri do Wave Festival. São 18 jurados no total. Almoçamos num pequeno café com pinta de italiano. Hoje às 19:45 acontece o jantar para os júris de Promo e Direct.
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China now.
De 23 de maio à 25 de agosto, o Tate exibe Street Art. Esta é – surpreendentemente – a primeira vez que um museu londrino empresta sua fachada para este tipo de trabalho artístico. A exposição destaca, entre outros nomes, Nunca e Os Gêmeos, os artistas brasileiros. Mas o que mais me chamou a atenção não foi essa exposição e sim a China Design Now, no London’s Victoria and Albert Musem. O nome da mostra, mais do que um jogo de palavras, soa como uma palavra de ordem. Afinal, muito se fala da influência e importância que a China tem e terá na economia mundial. E é inevitável que essa influência se misture na cultura. No ano passado, em San Francisco, as galerias de arte exibiam inúmeros artistas plásticos chineses. Na moda e no design a estética chinesa vai estar cada vez mais presente. Assim, apesar do orgulho de ver o familiar trabalho dos brasileiros na fachada da Tate, a exposição de Street Art acaba soando um registro do que já passou e o China Design Now, do que vem por aí.
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Jantar Br-London
Depois de um dia todo andando (só parei pra ouvir a missa do Steve Jobs), rolou um jantar com os brasileiros que estão aqui em Londres. Fefa Romano da JWT, Fabio Abram e Braulio da Euro além do Flávio Casarotti da Fischer e eu, que estamos só de passagem. O jantar foi no MasTurban…não…UrbanTurban, um restaurante perto da casa da Fefa que serve esfiha, pizza e frango xadrez, só que com curry, então vira comida da India. Comida divertida e companhia boa, ou vice versa. Amanhã, ou melhor, hoje daqui umas quatro horas embarco pra Nice.
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