(Na foto, Mischa, o jurado holandês, Armin, o presidente do júri e Diego, o jurado argentino, revendo uma das campanhas mais legais do dia)

Pronto. Terceiro dia finito. Quatrocentos cases julgados por cada jurado. Amanhã discutiremos a primeira versão do shortlist. Trabalhos da China, Japão, Nova Zelândia, Austrália, Rússia, Tailândia, França, Italia, Espanha, Portugal, Argentina, Brasil…você fala um país daí que eu mostro uma promo daqui! Mas sabe o que? Isso de ver campanhas do mundo todo não é mais tão importante como foi no passado. Incrível notar que o mundo não está plano apenas na economia (Thomas Friedman). O júri, formado por profissionais de todos os cantos do planeta, é homogêneo nas avaliações e as campanhas têm muito pouco acento local. Além disso, definitivamente, existe um modelo de Promo, ou de campanha BTL, que parece ser padrão no mundo todo. Você sabe do que estou falando. Já viu isso antes. Mas depois de ver tantos trabalhos, um depois do outro, enão importa mais a região, esse é o modelo padrão: uma idéia central com ou sem suporte de alguma mídia alternativa + virais que se transformam em notícia nos jornais da televisão + blogs discutindo o tema. Uma infinidade de campanhas seguem esse modelo. Mas padrão ou não, o júri quer premiar. Acredite. Então, é uma pena quando a inscrição não ajuda porque falta um vídeo convincente, ou quando existem erros primários. E, como o Geraldo Rocha Azevedo ressaltou na reunião com as agências que a gente realizou, nada é mais importante do que o vídeo que explica o case. Não é só importante. É fundamental. Pensando nisso, fiz algumas anotações para mim mesmo, que acho que podem interessar quem pretende inscrever nos próximos Promo Lions:

- Seja direto: o júri é formado por profissionais experientes. Estão vendo um case atrás do outro. Gente que está cansada de receber e resolver briefings. Então não subestime o poder desses caras de entender o problema que você resolveu. Lembre-se que a categoria é Promo. Seja direto, porém não seja simplista. Não gaste mais do que 3 minutos explicando o background do case, ou o problema do cliente. Fale logo, no primeiro minuto, qual é sua idéia. É isso que eles querem ver. Lembre-se: Cannes privilegia as idéias (peso de 40%).

- Seja cool: a trilha é fundamental. Esqueça o acid jazz manjado. Ou world music. Ou músicas irritantes para chamar a atenção. Vi os dois extremos. Músicas tão irritantes que o júri parou no meio a exibição e trilhas tão legais que todo mundo entrou no clima e naturalmente a idéia cresceu. Um dos cases tinha uma trilha tão boa que pediram para ver de novo, só para ouvir.

- Tenha humor na medida certa: a não ser que você tenha certeza que o júri vai rolar no chão de rir, piadinha não, por favor. Lembre-se. São seis caras olhando centenas de trabalhos. Tudo que você não quer é que um olhe para o outro com um sorriso amarelo.

- Seja honesto: não exagere nos resultados. Qualquer mínimo sinal de mentira e seu case dança. Um case alegou ter causado um incremento de vendas de 657%. Os jurados se entre olharam descrentes até que um deles disse: “escutem…se você desse mais de 500% de incremento pra seu cliente, você se preocuparia com a precisão dos 7%, ou isso é para ‘parecer’ verdadeiro?”. Risada geral e mais um case pro lixo.

Amanhã cedo, 9:00 aqui, 4:00 no Brasil, a gente se reúne – pela primeira vez os 18 jurados – para decidir o que vai pra prêmio e o que fica no shortlist apenas. Cada jurado também terá a chance de puxar para o shortlist um trabalho que, não sendo de seu país, tenha sido deixado de lado pelo júri.

Ontem apaguei. Dormi das 19:00 até as 5:00. Acho que serviu para regular o relógio depois do jet lag. Quem não gostou foi a jovem que arruma o quarto. Não teve perdão. Quando saí de manhã encontrei o bilhete na porta. “Não arrumei seu quarto porque você ESTAVA DORMINDO!”. Pô…fiquei chateado. Não queria atrapalhar o trabalho da moça.

Hoje recebemos os crachás para participar do evento. Como jurado, você tem o direito de participar de todos os workshops e seminários.

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Finalmente, sei que não estou aqui para dar dicas de turismo, mas não posso deixar de falar de uma lojinha de brinquedos que fui hoje.O nome é En Sortant de L’École, de uma parisiense radicada em Antibes. A loja vende brinquedos antigos e é de um bom gosto irritante. Fui lá com o Fred Gelli, o jurado brasileiro no júri de design e saímos cheios de brinquedos bacanas, inclusive vários denglingos

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5 Responses to “Como não apresentar seu case em Cannes”  

  1. Neto,

    Falando em deglingos a Nina tem o Molo, a lagostinha.
    Tinha algum novo ?!

    ; )

    Bjs,
    Paula

  2. Fala Neto,

    Nem nos conhecemos pessoalmente, apesar de você ser personalidade :-) , mas tenho me divertido muito com seu blog, registro aqui parabéns e agradeço pela atenção em dividir todos esses detalhes, valeu mesmo.

    Agora seguinte, eu e o Domenico (esse te conhece), nesse último post especificamente estranhamos – eu até de modo mais enfático provavelmente por ser um profissional de mídia com a implicância com o “657%”. Espero que o case tenha caído em discrédito muito mais pela discrepância da ação com esse resultado, do que pelo preciosismo do inscrito em mandar índice tão acertivo…

    Me pergunto aqui, eu questionaria mesmo quem coloca os índices exatos, como 500%, numa clara conotação de arredondar um número assombroso, que me deixaria aí sim muito desconfiado… to muito louco, na contramão ? Afinal, supondo boa fé do inscrito, quando há tamanho cuidado no índice ou na métrica, tá implicito que o cara calculou pra não deixar dúvidas para o júri. Talvez eu seja ingênuo mesmo…

    Abs e obrigado mais uma vez.

    IGOR

  3. É muito legal saber como acontecem as coisas por aí… mesmo para quem não é da “área”.

    Agora, a bronca da “housekeepinglady” foi engraçada!!
    Eu quero um denglingos, você aceita encomendas? rs
    Boa sorte aí!

  4. concordo com a cris, tá bacana acompanhar a mecânica da coisa e não só a coluna social.

    abs

  5. 5 mneto

    Igor
    Você tem razão.
    Acho que realmente me expressei mal.
    Realmente, no caso em questão, o dos 657%, era evidente que a ação não poderia ter dado um resultado tão grande. Além disso, ainda há o fato de não haver histórico com relação aos números absolutos.
    Sim, números absolutos fazem diferença.
    Notei que os jurados realmente tendem a desprezar ações promocionais de baixa cobertura.
    Explico melhor: uma idéia genial que impactou 200 pessoas pode ser premiada, independente do resultado, por sua “genialidade”.
    Mas uma idéia que atingiu milhões de pessoas, chama mais a atenção do júri e aí sim, precisa de algum embasamento na validação do resultado.
    A questão tem diversos aspectos a serem analisados e passa por diversas questões subjetivas, que podem ou não dar mais credibilidade à campanha.
    Em primeiro lugar está o fato de que Cannes é, historicamente, um prêmio que privilegia a criação (peso 40%) e não tão os resultados (peso 20%).
    Por si só, essa diferença de pesos já deveria ser suficiente para garantir o bias que a organização se propõe.
    Mas não é o que acontece na prática.
    Na prática, agências informam mal os resultados conquistados (vi aberrações como “resultado: o cliente ficou muito feliz”), o júri não tem condição de validar a veracidade da informação e o próprio presidente do júri nos instrui a dar menos importância ao resultado e mais à idéia.
    Neste contexto, garanto a você, pelo que vi, que um bom texto justificando os números, valores absolutos comprovados de alguma forma e – no caso de incrementos em % – mais transparência no que é informado, realmente conquistam o júri.
    A regra que eu seguiria é algo assim:
    - ideiazinha pequena mais genial, descreva o resultado em palavras, não em números. Mas deixa claro a pouca cobertura.
    - projeto grande, descreva o resultado em palavras e números absolutos comprováveis.


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